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quarta-feira, 9 de março de 2011

QUARTA-FEIRA DE CINZAS, PORQUE?


O QUE SIGNIFICAM AS CINZAS?

O uso litúrgico das cinzas tem sua origem no Antigo Testamento. As cinzas simbolizam dor, morte e penitência. Por exemplo, no livro de Ester, Mardoqueu se veste de saco e se cobre de cinzas quando soube do decreto do Rei Asuer I (Xerxes, 485-464 antes de Cristo) da Pérsia que condenou à morte todos os judeus de seu império. (Est 4,1). Jó (cuja história foi escrita entre os anos VII e V antes de Cristo) mostrou seu arrependimento vestindo-se de saco e cobrindo-se de cinzas (Jó 42,6). Daniel (cerca de 550 antes de Cristo) ao profetizar a captura de Jerusalém pela Babilônia, escreveu: "Volvi-me para o Senhor Deus a fim de dirigir-lhe uma oração de súplica, jejuando e me impondo o cilício e a cinza" (Dn 9,3). No século V antes de Cristo, logo depois da pregação de Jonas, o povo de Nínive proclamou um jejum a todos e se vestiram de saco, inclusive o Rei, que além de tudo levantou-se de seu trono e sentou sobre cinzas (Jn 3,5-6). Estes exemplos retirados do Antigo Testamento demonstram a prática estabelecida de utilizar-se cinzas como símbolo (algo que todos compreendiam) de arrependimento.

O próprio Jesus fez referência ao uso das cinzas. A respeito daqueles povos que recusavam-se a se arrepender de seus pecados, apesar de terem visto os milagres e escutado a Boa Nova, Nosso Senhor proferiu: "Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o cilício e as cinzas. (Mt 11,21) A Igreja, desde os primeiros tempos, continuou a prática do uso das cinzas com o mesmo simbolismo. Em seu livro "De Poenitentia" , Tertuliano (160-220 DC), prescreveu que um penitente deveria "viver sem alegria vestido com um tecido de saco rude e coberto de cinzas". O famoso historiador dos primeiros anos da igreja, Eusébio (260-340 DC), relata em seu livro A História da Igreja, como um apóstata de nome Natalis se apresentou vestido de saco e coberto de cinzas diante do Papa Ceferino, para suplicar-lhe perdão. Sabe-se que num determinado momento existiu uma prática que consistia no sacerdote impor as cinzas em todos aqueles que deviam fazer penitência pública. As cinzas eram colocadas quando o penitente saía do Confessionário.

Já no período medieval, por volta do século VIII, aquelas pessoas que estavam para morrer eram deitadas no chão sobre um tecido de saco coberto de cinzas. O sacerdote benzia o moribundo com água benta dizendo-lhe: "Recorda-te que és pó e em pó te converterás". Depois de aspergir o moribundo com a água benta, o sacerdote perguntava: "Estás de acordo com o tecido de saco e as cinzas como testemunho de tua penitência diante do Senhor no dia do Juízo?" O moribundo então respondia: "Sim, estou de acordo". Se podem apreciar em todos esses exemplos que o simbolismo do tecido de saco e das cinzas serviam para representar os sentimentos de aflição e arrependimento, bem como a intenção de se fazer penitência pelos pecados cometidos contra o Senhor e a Sua igreja. Com o passar dos tempos o uso das cinzas foi adotado como sinal do início do tempo da Quaresma; o período de preparação de quarenta dias (excluindo-se os domingos) antes da Páscoa da Ressurreição. O ritual para a Quarta-feira de Cinzas já era parte do Sacramental Gregoriano. As primeiras edições deste sacramental datam do século VII. Na nossa liturgia atual da Quarta-feira de Cinzas, utilizamos cinzas feitas com os ramos de palmas distribuídos no ano anterior no Domingo de Ramos. O sacerdote abençoa as cinzas e as impõe na fronte de cada fiel traçando com essas o Sinal da Cruz. Logo em seguida diz : "Recorda-te que és pó e em pó te converterás" ou então "Arrepende-te e crede no Evangelho".

Devemos nos preparar para o começo da Quaresma compreendendo o significado profundo das cinzas que recebemos. É um tempo para examinar nossas ações atuais e passadas e lamentarmo-nos profundamente por nossos pecados. Só assim poderemos voltar nossos corações genuinamente para Nosso Senhor, que sofreu, morreu e ressuscitou pela nossa salvação. Além do mais esse tempo nos serve para renovar nossas promessas batismais, quando morremos para a vida passada e começamos uma nova vida em Cristo.

Finalmente, conscientes que as coisas desse mundo são passageiras, procuremos viver de agora em diante com a firme esperança no futuro e a plenitude do Céu.


Bênção e imposição das cinzas no início da Quaresma
(Quarta-feira de cinzas)

Aceitando que nos imponham as cinzas, expressamos duas realidades fundamentais:

Somo criaturas mortais; tomar consciência de nossa fragilidade, de inevitável fim de nossa existência terrestre, nos ajuda a avalira melhor os rumos que compete dar à nossa vida: "você é pó, e ao pó voltará" (Gn 3, 19). Somo chamado;

Somos chamados a nos converter ao Evangelho de Jesus e sua proposta do Reino, mudando nossa maneira de ver, pensar, agir.
Muitas comunidades sem padre assumiram esse rito significativo como abertura da quaresma anual, realizando-o numa celebração da Palavras.

Veja mais embasamentos bíblicos sobre as cinzas através das seguintes passagens: (Nm 19; Hb 9,13); como sinal de transitoriedade (Gn 18,27; Jó 30,19). Como sinal de luto (2Sm 13,19; Sl 102,10; Ap 19,19). Como sinal de penitência (Dn 9,3; Mt 11,21). Faça uma pesquisa através de todas estas passagens bíblicas, prestando a atenção ao texto e seu contexto, relacionando com a vida pessoal, comunitária, social e com o rito litúrgico da Quarta-feira de cinzas.

terça-feira, 8 de março de 2011

PARABÉNS A TODAS MULHERES!!!


A você que é mãe...filha...amiga...esposa...catequista... ou simplesmente MULHER, a minha homenagem, o meu carinho e minha admiração!


Mulher...

Que traz beleza e luz aos dias mais difíceis
Que divide sua alma em duas
Para carregar tamanha sensibilidade e força
Que ganha o mundo com sua coragem
Que traz paixão no olhar
Mulher,
Que luta pelos seus ideais,
Que dá a vida pela sua família
Mulher
Que ama incondicionalmente
Que se arruma, se perfuma
Que vence o cansaço
Mulher,
Que chora e que ri
Mulher que sonha...

Tantas Mulheres, belezas únicas, vivas,
Cheias de mistérios e encanto!
Mulheres que deveriam ser lembradas,
amadas, admiradas todos os dias...

Para você, Mulher tão especial...

Feliz Dia Internacional da Mulher!

Dia Internacional da Mulher


Em 8 de março de 1857 , 129 operárias têxteis morreram queimadas em Nova Iorque, porque lutavam pela redução da jornada de trabalho. Desde então, a luta das mulheres tem sido cotidiana, contra a opressão vivenciada na vida, no trabalho, nos espaços públicos e privados. Foi após as mortes destas trabalhadoras que surgiram as primeiras legislações de proteção à saúde das mulheres. Um dos patrões presos como um dos responsáveis por mandar trancar as portas das fábricas e atear fogo, recebeu liberdade sob fiança de apenas 20 dólares.

O Dia 8 de Março foi instituído em 1910, no I Congresso Internacional de Mulheres, em homenagem às operárias que morreram, como sendo um dia de luta, hoje, devido ao aumento de exclusão social desenvolvida através das políticas neoliberais, todos os dias tem sido dia de luta para homens e mulheres que vivem em seu cotidiano a exclusão, o desemprego, a retirada de direitos sociais, arrocho salarial, e a falta de qualidade e condições de uma vida digna.
Neste momento conjuntural, homens e mulheres estão em pé de igualdade, no que se refere AS PÉSSIMAS CONDIÇÕES DE VIDA.

Mas, como a situação das mulheres ao longo da história é permeada pela discriminação, suas condições são mais precárias em relação aos homens sabe por que?

As mulheres que em 1857 lutavam pela redução as jornada de trabalho, hoje, além de trabalhar em média, o mesmo tempo que os homens recebem até 40% do total de seu salário para DESEMPENHAR A MESMA FUNÇÃO.
A taxa de desemprego para as Mulheres é de até 6% em relação aos homens
Os postos de trabalho ocupados pelas mulheres, com aumento significativo, principalmente a partir da década de 80, são os mais desqualificados.
Os direitos sociais conquistados com a luta das mulheres, como por exemplo, o salário maternidade está correndo risco de ser reduzido.
As mulheres, principalmente de baixa renda estão morrendo contaminadas pelo Vírus da AIDS, por falta de uma política de prevenção.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, 10% do total de abortos praticados em todo o mundo, corresponde ao Brasil, significando que milhares de mulheres morrem, por não ter um política pública de qualidade que lhe assegure a vida.

quinta-feira, 3 de março de 2011

FINALIZANDO ESTUDO SOBRE A ESPIRITUALIDADE DO CATEQUISTA

“A fonte na qual a catequese busca a sua mensagem é a Palavra de Deus. (DNC 106)

“O perfil do catequista é um ideal a ser conquistado, olhando para Jesus, modelo de Mestre, de servidor e de catequista. Sendo fiel a esse modelo, é importante desenvolver as diversas dimensões: ser, saber, saber fazer em comunidade” (DNC 261).

“Não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande idéia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá um novo horizonte à vida, e, com isso, uma orientação decisiva” (DA 12). Discipulado não é ponto de chegada, mas processo: “ser discípulo é dom destinado a crescer” (DA 291).

“A catequese não pode se limitar a uma formação meramente doutrinal, mas precisa ser uma verdadeira escola de formação integral. Portanto, é necessário cultivar a amizade com Cristo na oração, o apreço pela celebração litúrgica, a experiência comunitária, o compromisso apostólico mediante um permanente serviço aos demais” (DA 299).

“A admiração pela pessoa de Jesus, seu chamado e seu olhar de amor despertam uma resposta consciente e livre desde o mais íntimo do coração do discípulo, uma adesão de toda sua pessoa ao saber que Cristo o chama por seu nome (cf. Jo 10,3). É um “sim” que compromete radicalmente a liberdade do discípulo a se entregar a Jesus, Caminho, Verdade e Vida (cf. Jo 14,6)” (DA 136).

“Quando cresce no cristão a consciência de se pertencer a Cristo, em razão da gratuidade e alegria que produz, cresce também o ímpeto de comunicar a todos o dom desse encontro. A missão não se limita a um programa ou projeto, mas em compartilhar a experiência do acontecimento do encontro com Cristo, testemunhá-lo e anunciá-lo de pessoa a pessoa, de comunidade a comunidade e da Igreja a todos os confins do mundo (cf. At 1,8)” (DA 145).

“A espiritualidade dá um sentido à missão, mas ela precisa ser alimentada pela leitura orante da Bíblia, pela oração pessoal e comunitária e pela vida sacramental. A espiritualidade ajuda a valorizar a dignidade da pessoa humana, a formar a comunidade e a construir uma sociedade fraterna e justa” (Texto Base do Ano Catequético, n. 90).

Características de uma espiritualidade própria dos catequistas

CONTINUAÇÃO

C) A ESPIRITUALIDADE DE COMUNHÃO
O catequista é alguém orientado para a prática da comunhão. Faz parte da espiritualidade do catequista caminhar com a Igreja e com a comunidade. É importante caminhar seguindo as orientações e diretrizes da comunidade. Não se pode seguir um caminho próprio, desligado da ação pastoral da paróquia. A comunidade é o espaço apropriado para construir novas relações, baseadas no diálogo, na compreensão e na cooperação mútuas, no serviço desinteressado e na entrega de si mesmo pelo bem dos demais, a exemplo de Cristo.

O catequista animado do ardor missionário de Jesus, deverá ter um amor profundo pela Igreja. Sentir e amar com a Igreja para viver a comunhão eclesial, na vida nova em Cristo. Como diz o apóstolo Paulo: “já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim, a minha vida na carne eu a vivo na fé do Filho de Deus que me amou e se entregou por mim” (Gl 2, 20).

D) A ESPIRITUALIDADE “APAIXONADA”
Paixão e muito ardor são requisitos essenciais para a espiritualidade catequética. Catequistas apaixonados pela sua missão dão testemunho da beleza desse ministério na Igreja, não desistem facilmente e perseveram.

Essa paixão deve gerar na pessoa do catequista, a alegria, o riso, a descontração. A espiritualidade supõe a capacidade de rir de nós mesmos, de saber olhar com certa distância dos fatos difíceis de serem vividos. Jesus também agiu com senso de humor quando transformou a pecadora pública em mestra de hospitalidade para o fariseu anfitrião (Lc 7, 44-46). Junto com o humor vem a paciência, que é a capacidade de resistência que muitas vezes perdura tempo. É necessário respeitar os processo é o ritmo da história. É preciso paciência para ajudar o outro a aprofundar sua experiência de Deus.

E) A ESPIRITUALIDADE DO COTIDIANO
A espiritualidade do catequista deve ser marcada pela superação das fronteiras do que leva o rótulo de religioso para descobrir as manifestações de Deus no cotidiano e nas coisas simples da vida.

Nossa espiritualidade precisa ser moldada pelo nosso cotidiano. Uma pergunta indispensável seria esta: Se Jesus vivesse na atual sociedade, como ele falaria hoje? Sua oração era cheia de comparações e símbolos do seu tempo. Quais recursos ele hoje utilizaria para anunciar o Reino? O jornal, o computador, a revista e outros meios, todas estas coisas fazem parte do nosso cotidiano e são matéria prima para a uma espiritualidade comprometida. Não se pode separar espiritualidade da vida, e nem considerar que na oração deve-se deixar de lado os problemas que nos atingem. A espiritualidade será tanto mais frutuosa quanto mais diversificada e integral for a nossa vida.

F) A ESPIRITUALIDADE MISSIONÁRIA
O catequista missionário deve encontrar em Jesus, o Bom Pastor, o seu modelo e guia interior no desempenho da missão de educador da fé. O seu amor deverá ser intenso e ao mesmo tempo expansivo.

Sua ação missionária consiste em levar a mensagem de fé no coração da família do catequizando, como fez Jesus em suas visitas, proclamando o amor e misericórdia de Deus: “hoje a salvação entrou nesta casa” (Lc 19,9).

G) ESPIRITUALIDADE SACRAMENTAL
É na celebração dos sacramentos, que o catequista missionário é fortalecido para o exercício do seu ministério, experimentando significativamente a alegria do perdão de Deus, e a força que brota da Eucaristia, fonte e ápice da vida cristã. A Eucaristia é cume de todos os outros sacramentos para levar a perfeição e comunhão com Deus Pai, na identificação com Jesus seu Filho pela ação do Espírito Santo.

- Para aprofundar:
* Espiritualidade do Cotidiano (Therezinha Motta Lima da Cruz).
* Espiritualidade da Jangada (Revista Ecoando).