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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

ATOS EM PARTES

I - PRIMEIRA PARTE - JERUSALÉM (At 1-7)
A primeira parte se divide em dois blocos:

1 - Os apóstolos (1,12-5,42)
2 - Os Sete ou os helenistas (6-7).


1 - OS APÓSTOLOS (1,12-5,42).
Neste bloco, antes de se ver um retrato da comunidade de Jerusalém, deve-se ver os sonhos das comunidades lucanas.
Jerusalém, que nos anos da redação (80) já não existe mais como centro do judaísmo, é idealizada e se torna a experiência fundante para as igrejas lucanas.
• "Em primeiro lugar temos aqui uma utopia, uma visão de sociedade humana projetada como um ideal, uma meta."
Jerusalém é o ponto de referência para todas as igrejas, ela é sinal de continuidade e por isto também modelo.

a) koinonia /koinonia "mesa comum" (partilha). A comunidade de Jerusalém, idealizada, realiza Lc 1,46ss; 4,18; 6,20-21. At 1-5 é crítica a todos os modelos econômicos, mas principalmente uma crítica as comunidades lucanas que esqueceram a partilha. É uma reatualização do jubileu: redistribuição.

b) A comunidade de Jerusalém (idealizada) é fermento. Seus membros são poucos, mas despertam entusiasmo (2,47; 3,9-10, etc.). Estão no meio do povo, não separados.

c) Seu testemunho se expressa em sinais. Eles anunciam o nome de Jesus. Testemunham a paixão, morte e ressurreição e ascensão. Os fenômenos carismáticos são a materialização da ação do Espírito Santo. São a cobertura da missão e não satisfação pessoal.

d) A comunidade de Jerusalém e os Doze são paradigmas da firmeza nas perseguições. O conflito é entre os cristãos e os judeus. Os chefes judeus estão errados, pois mataram Jesus, o povo adere.

1.1 - Os Doze esperando em Jerusalém 1,12-26
Os destinatários deste texto são os fiéis lucanos e não os de Jerusalém. Lc quer animar seus fiéis, por isto, em Jerusalém são mencionados os Doze. O discurso de Pedro (v.16-22) é claramente para os lucanos. Para Jerusalém ele não precisaria dizer o caso de Judas nem mesmo explicar o termo hacéldama "na língua deles, campo de sangue".
Por que Lc faz este relato? Ele tem a resolver dois problemas comunitários do seu tempo:

a) A tradição:
Com a morte dos apóstolos surgem novos missionários que deturpam a mensagem de Jesus. Lc quer colocar balizas. Então, a igreja de Jerusalém se torna a referência. Lá estão os Doze, eles têm autoridade para definir, pois eles testemunharam "Desde o batismo de João
até o dia em que foi levado ao céu" (At 1,22). Mais tarde também Paulo precisa do aval deles (At 15). A igreja de Jerusalém (dos Doze) será norma para todas as demais. Só ela tem autoridade, pois os Doze são testemunhas oculares. Se bem que nenhum deles esteve com Jesus desde o batismo de João até a ascensão, pois ele os chamou mais tarde e, ainda mais, Matias não podia ter estado com eles, pois os evangelhos nos dizem que Jesus levou os Doze a um lugar afastado e os instruiu.

b) Sucessão apostólica (At 20,17-38):
Nas comunidades lucanas surge a necessidade da institucionalização. Os líderes carismáticos e ambulantes como Pedro e Paulo desapareceram e as comunidades cresceram muito e não podem depender sempre de líderes itinerantes. Formam-se líderes locais (anciãos = presbíteros). Estes devem ser confirmados pelos Doze. Por isto Lc dá tanta ênfase aos Doze e aos anciãos de Jerusalém, formando um conselho (At 15,2ss). Os anciãos (presbíteros) receberam sua missão dos Doze.

Conclusão:
Percebe-se a intenção de Lc que quer prevenir os membros de suas comunidades:
• Caminhada de um sábado (1 v.12) = O cristianismo se enquadra no judaísmo.
• Piso superior = lugar preferido dos rabinos (1Rs 17,19s).
• 120 pessoas = 10 por apóstolo lembra Ex 18,21.
• Pedro = tem papel preponderante, é o cabeça.
• O testemunho ocular = luta contra a gnose ou uma religião apenas espiritual.
• Matias = reflete as eleições dos tempos lucanos.
Para Lc os quesitos do apostolo são: testemunha ocular de Jesus, da ressurreição, escolhido por Jesus (sorte) e que tenha recebido o Espírito Santo.

O livro dos Atos

O livro dos Atos foi escrito nos anos 80-90 e reflete o seguinte quadro:
a) A maioria dos apóstolos já estava morta.

b) Muitos pagãos aderiram à fé provocando crise de identidade.

c) O cristianismo começa a se distanciar do judaísmo.

d) Os judeus perseguem os cristãos, tachando-os de hereges e traidores. Os romanos os perseguem, vendo-os como subversivos. (revolucionários)

e) Alguns se perguntam: as comunidades cristãs são ainda a continuação do antigo povo escolhido (AT)? Outros questionam: as comunidades continuam a caminhada de Jesus?

O autor quer provar a fidelidade das comunidades a Jesus e ao AT, bem como contornar os problemas com judeus e romanos. O autor não é historiador, mas teólogo. Desta forma pinta um Paulo bem mais adocicado do que o real que se conhece pelas cartas. O autor quer legitimar a missão paulina, para isto apela a Pedro. Até o Pedro dos Atos é Paulino (prega aos gentios - comparar Atos 10 com Gl 2,7-10. Ele vincula suas comunidades paulinas com a comunidade de Jerusalém.

O autor do livro de Atos tem intenção específica; (não é livro histórico) é um livro de uma releitura da história. Escreveu a partir de seu ponto de vista. NÃO É UM RELATÓRIO. O que está se fazendo invisível? No que o autor quer que acreditemos? Não podemos nos deixar manipular pelas intenções do autor.

O livro de Atos dos Apóstolos
Como surgiu? Quem o escreveu? Para quem?

A bíblia não “apareceu”, mas foi constituída a partir de uma vivência dentro de uma História. Grupos de pessoas escreveram com intenção própria, com metas específicas. Elas nos passam suas experiências de vida dentro de sua história.

Para escrever Atos, seu autor fez uso da língua grega, esforçando-se para escrever bem, com qualidade (seu grego é dos melhores do Novo testamento). No seu estilo de narrar, o autor de Atos apresenta um vai e vem de episódios, uma historia dentro da outra, que dão muito dinamismo e dramaticidade ao texto. Assim, por exemplo, a primeira narrativa da conversão de Paulo está em Atos 9,1-14; mas Paulo já aparece na cena do martírio de Estevão em Atos 7,58 e 8,1.3.

Não podemos dizer com certeza que o autor de Atos tivesse sido companheiro de Paulo. Mas podemos afirmar com garantia total que o autor de Atos dos Apóstolos foi o mesmo que escreveu o terceiro evangelho: (Lucas, ou a mesma comunidade). A partir de agora diremos ter sido Lucas.
O autor não deu título à sua obra, apenas lhe dá um destinatário (At 1,1-2; Lc 1,1-4): Teófilo. Isto é comum na literatura grega da época, portanto, o destinatário são comunidades, não uma pessoa. O autor não assina, Desde o séc. II ele é atribuído a Lucas. Era comum atribuir livros a pessoas importantes.

Quem é Lucas?
Colossensses 4,14 = “Saúda-vos Lucas, o caríssimo médico, e Demas”.
Atos 16, 10-17 = era companheiro de Paulo em suas missões.

Lucas escreve após a destruição do templo (ano 70 d.C.). Escreve para comunidades paulinas uns 10 ou 20 anos após a morte de Paulo. Sua mensagem é que Jesus é o LIBERTADOR.. Escreve numa comunidade que depois de uns 30 anos da morte de Jesus, vive a sua realidade. Lucas sente que a comunidade está fria e não vive a realidade JESUS. Tenta reanima-la com seus escritos.
O lugar de onde Lucas escreve, não está especificado. Sabemos que foi dentro do Império Romano.

O título não faz jus ao conteúdo, pois não conta os atos dos apóstolos, mas somente os de Pedro e os de Paulo. Deveria se chamar corretamente de Atos de Paulo, pois tudo gira em volta dele. O que vem antes prepara o caminho de Paulo.

Três linhas dentro de Atos:

• Aspecto histórico – muitos conflitos. Lucas quer mostrar a continuidade de uma comunidade.

• A espiritualidade é a mesma que o povo de Israel tinha. É uma continuidade.

• Continuidade do mesmo Cristo do antigo Testamento. É o mesmo motivo que animou outras comunidades anteriores. São raízes comuns, espiritualidade comum.

Chaves de leitura
1- Ler a partir do Espírito Santo.
2- Ler a partir da Perspectiva da MISSÃO (até os confins da terra).
3- Ler a partir das pequenas comunidades – a casa – o templo era da comunidade judaica.
4- Ler a partir da inter-culturalidade.
5- A partir das mulheres.
6- Dimensão sócio-político

Os principais problemas que ele enfrenta, são:

a) O desafio da comunidade de mesa

Nas comunidades cristãs conviviam cristãos-judeus e não-judeus (Prosélitos e tementes a Deus). Os judeus não podem aceitar que pagãos sentem com eles à mesa para a refeição ou eucaristia (At 11,1ss; 15,19ss). Até Pedro é vítima deste preconceito (At 10,16-18.28; Gl 2,11-14). Lc, para resolver este problema que diminuía os pagãos, vendo ameaçado seu espírito missionário, mostra que Paulo comia com os pagãos: Lídia (16,14-15), carcereiro (16,34), Justo (18,6b), no navio (27,33-38). Até Pedro já comia com eles (10,16ss; 11,1ss). No entanto, At 10,16ss; 11,1ss e 15,7ss não combinam bem com Gl 2,1-14. Se Paulo é acusado de ter introduzido pagãos no templo (21,29), Lc o defende dizendo que isto já Pedro e Tiago o permitiram antes dele (At 10;11;15,20.29). Lc faz com que a prática de Paulo seja legitimada por Pedro e Tiago.
Os At se referem muito aos prosélitos e adoradores de Deus (ver Bíblia de Jerusalém, nota a At 2,11). Estes se sentiam excluídos do templo e do convívio com os judeus.
Agora, no cristianismo, se verificava o mesmo. Lc que também é prosélito quer resolver este problema, obstáculo da evangelização.


b) Judeus se distanciando de Israel
Os cristãos vindos do judaísmo se sentem expulsos das sinagogas. Não conseguem conciliar judaísmo e cristianismo.
Depois da tragédia de 70 os judeus (fariseus) se reorganizam em Jâmnia, uma cidadezinha a 50 quilômetros de Jerusalém. O centro da vida religiosa será, de agora em diante, não mais o templo nem as funções sacerdotais, mas a Tora escrita e sua interpretação oral. Acentua-se desta forma a ortodoxia e os Judeus pressionam os cristãos a voltarem ou seriam traidores. Lucas quer encorajar estes cristãos judeus. Os traidores do AT são os chefes de Israel, os doutores e sacerdotes e não Jesus e seus seguidores.
Ele pinta negativamente os líderes judeus. Neste tempo a igreja está em fase de transição. Já não é bem judaísmo, mas também ainda não tem estrutura de igreja. Quase só se fala da fundação das igrejas, mas nunca de sua estrutura.
Tem resquício de Israel (Os Doze), mas já tem estrutura helênica (Os sete At 6, e os cinco At 13).

c) Os gregos e sua fidelidade ao Império
Muitos funcionários do Império aderiram à fé. Será possível ser fiel a Jesus e ao Império? Como aderir a Jesus e ter Paulo por missionário importante se os dois foram eliminados pelo Império? Lucas é muito simpático ao Império Romano.
Assim ele sempre empurra a culpa pela morte de Jesus e de Paulo aos chefes dos judeus, enquanto os romanos são bonzinhos (Lc 23,22; At 3,13), o centurião romano reconhece que Jesus é justo (Lc 23,47), os chefes romanos protegem a Paulo (13,13; 16,30-34; 18,16). Paulo é perseguido pelos judeus e salvo pelos romanos (21,27ss; 23,10ss; 24,25; 26,31s). Os culpados sempre são os judeus. Lc nem sequer menciona o martírio de Pedro e Paulo em Roma, pois quer atrair as benesses do Império.

d) Convivência de ricos e pobres
Nas comunidades lucanas convivem ricos e pobres. No mundo grego isto era inimaginável. Havia os bem ricos e os quase mendigos (+ de 50% são escravos). Lc mostra a convivência
(2,42ss; 4,32ss e 5,12ss), insiste em acabar com a escravidão ao dinheiro (Lc 3,13s; 12,33; 14,14). Em At o dinheiro é visto de forma negativa (Judas 1,18; Ananias e Safira 5,1-11; Simão, o mago 8,20; Os amos da moça possuída 16,19; o lucro dos ourives 19,24). Os apóstolos não têm dinheiro (3,5), Paulo não quer prata (20,33). Lc tem mensagem concreta para os pobres: Magnificat (Lc 1,46-55), Discurso inaugural em Nazaré (Lc 4,18) e na parábola do banquete (Lc 14,12-24). At realiza este programa do Magnificat e do discurso de Nazaré nas comunidades de Jerusalém. Não há necessitados entre eles.

Conclusão
Em meio a todos estes problemas, Lc quer mostrar que a Palavra de Jesus, movida pelo Espírito Santo, avança. O número de fiéis aumenta (2,41.47; 6,7, etc. Se o evangelho de Lc é o livro de Jesus, o dos At é o livro do Espírito Santo.
O Espírito produz a Palavra (2,4.17; 4,31; 19,6). Existem muitos obstáculos, mas a Palavra vence.

2.2 - Período de transição
At reflete um período em que a Igreja ainda não é bem definida, mas já se distingue do judaísmo. Ela quer ser o verdadeiro Israel, não se pensa como separação do judaísmo, mas pensa que o judaísmo se separou da antiga tradição. Não tem ainda estrutura formada, tudo é muito carismático. O livro fala muito da fundação das comunidades, mas pouco de sua estrutura. O fato de colocar a base da Igreja em Jerusalém (At 1-5) mostra que o cordão umbilical da Igreja não está totalmente cortado.
 "A obra de Lucas aparece como representando uma fase de transição entre dois estados sociológicos. O ponto de partida é um cristianismo que constitui apenas um movimento religioso dentro do judaísmo, não muito diferente do partido dos fariseus, dos essênios, dos zelotes, dos saduceus."
2.3 - O projeto de Lucas
Lucas quer animar comunidades paulinas dos anos 80-90 onde o evangelho foi anunciado a judeus e a pagãos (tarefa de Paulo). Os judeus olham com desprezo para Paulo (morto há
uns 20 anos) por ter misturado tudo. Lc quer justificar Paulo, por isto ele olha para trás e escreve os At. Ou melhor, Lc escreve os atos de Paulo (At 13-28) justificando os pelo Espírito Santo. Paulo anunciou o evangelho aos pagãos movido pelo Espírito Santo. Para justificar melhor a atitude de Paulo, ele escreve os capítulos 1-12 como preparação à missão de Paulo. Assim, em 1-5 temos a comunidade referência, de Jerusalém (comunidade ideal que mais reflete os desejos das comunidades lucanas dos anos 80 do que as comunidades de Jerusalém), temos em 6-8 um novo modelo de igreja emergente (helenista) e a partir de então Pedro é o preparador do caminho de Paulo. Pedro vai aos pagãos (10).
Os apóstolos legitimam a missão (15). Isto na prática não foi bem assim.

Lucas não conheceu bem a Palestina, o judaísmo nem a teologia de Paulo. Muito do que diz sobre Paulo não concorda com o Paulo das cartas. Pinta um Paulo bastante adocicado, bem diferente do auto-retrato que Paulo faz nas epístolas. Conhece a LXX. Conhece bem o mundo grego e romano. Despreza a religião popular grega como magia e idolatria.
Fala muito de prosélitos (2,11; 6,5; 13,43 etc. Alguns têm destaque: Nicolau (6,5), Cornélio (10), Lídia (16,14), Justo (18,7). Cita também muitas mulheres que têm papel importante (1,14; 2,17; 12,12; 21,9).
Lucas reflete missionários carismáticos ambulantes (At 13,1-5) que andam de cidade em cidade anunciando o evangelho, igualmente a Paulo. Tempo em que ainda não se tem muitos líderes locais.


2.4 - Estrutura literária.

• Introdução 1,1-11

• I - Jerusalém, comunidade de referência 1,12-7,60
- Os Doze (judaica) 1,12-5,42
- Os Sete (helenista) 6,1-7,60

• II - Rumo a Antioquia, abertura aos pagãos 8,1-15,35
- De Jerusalém a Antioquia 8,1- 12,25
- Antioquia inaugura a missão 13,1-15,35

• III - A grande Missão de Paulo 15,36-19,20

• IV - O Processo de Paulo 19,21-28,31
- Viagem para Jerusalém 19,21-21-14
- Jerusalém 21,15-26,32
- Roma 27,1-28,31

Não é livro histórico, mas nos Atos temos algumas informações Históricas, sociológicas, antropológicas e religiosas.

A ênfase é a missão fora de Jerusalém (da nova Igreja). (grandes figuras; Paulo, Pedro, Silas, mas de outras pessoas menores (figurinhas) que são de muita importância. Estes pequenos nos dão chaves importantes.

PONTOS CHAVES

Atos 1,1-11 nos apresentam:
• Conexão com o Evangelho
• Dedicação (Teófilo)
• Ascensão + Ressurreição = manifestação Histórica
• Presença do Espírito Santo.

1, 12 = Reunião dos discípulos
1, 15 = Eleição de Matias.

O prólogo 1,1-11

At 1,1-11 repete Lc 24,13-53 em perspectiva diferente:
Lc 24 é coroamento At 1 é abertura, portanto, há diferenças, já que não é história. Inicia-se nova fase da missão, a fase do Espírito Santo. No início da missão de Jesus está o batismo de João, no início da missão dos apóstolos está o batismo do Espírito, pois ele é, doravante o movedor da missão. A missão parte de Jerusalém (Mt 28,16ss e Mc 16,7 relatam estes acontecimentos na Galiléia). Com isto Lc quer ligar a missão de suas comunidades (anos 80) com Jesus e com o AT. Lc sempre parte de Jerusalém (apresentação do menino no templo: Lc 2,22sss; o menino entre os doutores: Lc 2,41ss; a tentação é em Jerusalém: Lc 4,9). Isto tudo indica que Jesus continua o Antigo Testamento. Também a missão dos apóstolos, movida pelo Espírito Santo, parte de Jerusalém, pois continua Jesus e o AT. De lá vai para os confins. Pode-se dizer, Lc 1-2 coloca Jesus em continuidade com Israel.
At 1,1-11 coloca as comunidades em continuação com Jesus.

Síntese:
A ascensão não é fato histórico na maneira atual de entender. É testemunho de que Jesus está vivo, que sua obra continua nos apóstolos movidos pelo Espírito Santo. Os cristãos das comunidades lucanas se espelham neste relato:
Vêem Jesus vivo, mas não podem esperar dele uma ação mágica de instauração do Reino, nem devem imaginar que agora está tudo perdido, pois Jesus já não está fisicamente presente. Tudo o que se esperava desde o AT se realiza em Jesus, mas agora são os cristãos, movidos pelo ES que farão o que Jesus fazia. A realeza (v.6-8) não cairá do céu, mas os discípulos, movidos pelo ES o anunciarão até os confins da terra. A ascensão é um marco, um relato, um mito que quer mostrar que Jesus é muito mais que um homem comum.

No Atos mostra que não temos Jesus, mas temos o Espírito Santo, o enviado. Lucas é o que mais fala do Espírito Santo (51) vezes.

Os v.6-8 são como o programa de todo livro dos At. A missão sai de Jerusalém e se expande até os confins do mundo.
Os v.9-11 representam o espaço de ação dos discípulos, isto é, entre a subida e a volta de Jesus.

ATOS DOS APÓSTOLOS

INTRODUÇÃO
1 - O momento histórico

Nos tempos da redação dos At (80-90) Roma domina a Palestina e todas as regiões circunvizinhas. Israel está sob o jugo romano desde 66 a.C.

O poder político era assim exercido na Palestina:
a) Sinédrio: conselho de judeus presidido pelo sumo sacerdote (papa judeu). Este governava religiosa e politicamente. Era assistido por 71 membros da nobreza e do sacerdócio. Resolvia assuntos internos.


b) Procurador (Judéia), reis vassalos (Galiléia e outros). Mantinham a ordem, proferiam sentenças capitais e cobravam tributo. Fora isto deixavam aos judeus resolver seus próprios assuntos, mas intervinham em épocas de crise, depunham sumo sacerdotes e nomeavam outros.

Devido à firmeza monoteísta dos judeus o todo-poderoso império romano teve de fazer concessões a eles:
a) Isenção do culto ao imperador.
b) Isenção do serviço militar.
c) Judeu não podia ser intimado a julgamento durante o sábado.
d) Os militares romanos não podiam usar insígnias com figuras proibidas para os judeus.
e) Os judeus podiam receber tributos para o templo.

Em síntese, o Império Romano tolerava o judaísmo como Religio Licita "religião lícita".
O povo estava insatisfeito e esperava a restauração da realeza de Israel (At 1,6). Alguns judeus se organizaram em lutas de resistência e levantes (66 d.C.). Roma reagiu violentamente, em 67 d.C matou 40 mil judeus.(este mesmo ano de 67 d.C é considerado ano da morte de Paulo). João de Giscala (67-68 d.C.) e Simão Bar Quiora (69) comandaram a resistência em Jerusalém. Em 70 Tito, general romano ataca Jerusalém arrasa tudo, cidade e templo. Os judeus se reorganizam nos anos 90 em Jâmnia a partir do farisaísmo, ou seja, o judaísmo rabínico.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

PASTORAL DA JUVENTUDE LANÇA CARTAZ DO 11º ENCONTRO NACIONAL


PASTORAL DA JUVENTUDE LANÇA CARTAZ DO 11º ENCONTRO NACIONAL
O mês da Bíblia inicia com duas bonitas e importantes divulgações da Pastoral da Juventude, no processo de construção do 11º Encontro Nacional da Pastoral da Juventude: o cartaz e a logomarca do Encontro.
A bela arte traçada no cartaz foi criada pelo artista amazonense, Chiquinho D'Almeida, e que em forma de conto, assim a descreve:
“Encontros de vidas:
A arte do cartaz apresenta os diversos encontros de vidas. Ele nasce a partir de uma visão poética entre a diversidade deste imenso Brasil, sua natureza, riquezas, e sua liberdade de expressão.
Em primeiro plano, a flor das águas, menina índia que se transformou em vitória-régia – hoje, a flor mais linda dos lagos e igapós. O encontro delas representa a Trindade Santa, o Pai, Filho e Espirito Santo, e suas flores brancas significam a simplicidade. Flutuam em águas de diferentes cores, um encontro regado de magia e mistérios.
O Encontro das Águas, rio Negro e Solimões, rios que tocam as barrancas, são horizontes espelhados onde ribeirinhos no seu dia a dia navegam e retiram seu sustento. Através desse encontro, represento os mares, rios e lagos de todo o Brasil, que são caminhos de missões, mas que estão sofrendo com grandes projetos e construções.
Delicadas mãos… Do lado esquerdo, mão de uma jovem, do direito a mão de um jovem. Mãos que tecem a utopia e partilham frutos. Em seus dedos, o símbolo do abraço das causas, o anel de tucum. Juntos seguram o paneiro, utensilio caboclo tecido com talas simples, e que é utilizado para levar a mandioca para fazer a farinha ou o peixe que é pão de muitos. Do paneiro nasce a árvore da vida que forma o mapa do Brasil, tecida de muito simbolismo tem chão firme, tribais indígenas, lembrando as raízes nosso povo de Deus Tupã. No centro surge a logo da PJ, uma pastoral que está em defesa da vida das juventudes a exemplo do Mestre. Os vários rostos apontam não somente as raças, mas a diversidade de meninos e meninas que com seu sotaque, modo de ser e viver, fazem missão em seus lugares vitais. São várias as realidades e encontros, o urbano, rural, indígena, ora vertical com prédios, ora horizontal com paisagens, ora circular com aldeias. São terras sagradas, inspirações e desafios a tantos jovens da minha pátria amada mãe gentil.
Guaraci e Jaci, Sol e Lua, enamorados que se encontram a cada eclipse, são estrelas que nos guiam e nos iluminam, luz que nos aquece e estrela que nos engrandece. Este encontro vive um dinamismo em arabescos, pois só existe encontro com gentileza, partilhando a vida, o pão e a utopia nos olhares, versos e cantigas apaixonados e dedicados a ir ao encontro do diferente em busca da Civilização do Amor, seguindo o Mestre Jesus”.
É nessa poesia, arte e mística, e na motivação de nossa iluminação bíblica, “Mestre, onde moras? Vinde e vede!” (Jo 1, 38-39), que também convidamos os delegados e as delegadas para se inscrever durante o mês de setembro, no link de inscrição que está disponível junto aos jovens e às jovens da Coordenação Nacional da PJ, e que representam cada regional da CNBB.
“No encontro das águas partilhamos a vida, o pão e utopia”.
Entre os dias 18 a 25 de janeiro, a PJ do Brasil inteiro fará morada em Manaus!

domingo, 24 de agosto de 2014

Catequista, você é especial para Deus!

Sua VOCAÇÃO foi gestada no coração do Pai, para que pudesse chegar aos corações dos seus filhos e filhas com a mensagem da VIDA: Jesus Cristo.
Catequista, você não é só transmissor de idéias, conhecimentos, doutrina, pois sua experiência está no ENCONTRO PESSOAL com a pessoa de Jesus Cristo. Essa experiência é comunicada pelo SER, SABER e SABER FAZER em comunidade .O ser e o saber do catequista sustentam-se numa espiritualidade da gratuidade, da confiança, da entrega, da certeza de que o SENHOR está presente, é fiel.
Catequista, que a experiência do encontro com Jesus Cristo seja a força motivadora capaz de lhe trazer o encantamento por esse fascinante caminho de discipulado, cheio de desafios que o faz crescer e acabam gerando profundas alegrias.
Catequista, nesse dia acolha o abraço de gratidão de milhares de pessoas, vidas agradecidas, pela sua presença na educação da fé de crianças, adolescentes, jovens e adultos. Em sua ação se traduz de uma forma única e original a vocação da Igreja-Mãe que cuida maternalmente dos filhos que gerou na fé pela ação do Espírito.
Querido/a Catequista, PARABÉNS! Que a Força da Palavra, continue a suscitar-lhe a fé e o compromisso missionário !
Que a comunidade continue sendo o referencial da experiência do Encontro com Cristo naqueles que sofrem, naqueles que buscam acolhida e necessitam ser “CUIDADOS”.
A benção amorosa do PAI, que cuida com carinho dos seus filhos e filhas, que um dia nos chamou a viver com alegria a vocação do discípulo missionário, esteja na sua vida, na vida da sua comunidade hoje e sempre.