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Mostrando postagens de setembro, 2014

A conferência de Jerusalém

Melhor do que o termo Concílio fica o termo Conferência, pois não se trata da reunião de muitas igrejas, mas somente de duas, a de Antioquia e a de Jerusalém. Lc coloca esta narração no centro do livro para lhe dar destaque e importância. A conferência estabelece a unidade entre a igreja Antioquia e a de Jerusalém. A conferência dá legitimidade e continuidade a Paulo. Ele continua a história de Israel, de Jesus e dos Doze. Paulo não fundou nova religião. O capítulo 15 é todo de Lc. Ele descreve admiravelmente, porém, 30 ou 40 anos depois. O discurso de Pedro reflete a prática das comunidades lucanas, mas faz concessão aos judeu-cristãos (15,19.29). O texto apresenta problemas: a) Problemas históricos: há divergências históricas entre At 15 e Gl 1,16-2,14. Porém há mais convergências do que divergência. Estas últimas são relativas. B) Problemas de conteúdo: Gl 2,10 diz que os apóstolos pediram que Paulo se lembrasse dos pobres. At 15 não fala disso. O decreto apostólic...

RUMO À ANTIOQUIA (At 8-15)

Esta unidade pode ser entendida como o prelúdio da missão de Paulo. Fala-se da: a) Dispersão dos helenistas (8,1ss). A evangelização se expande até a Antioquia (11,19ss). Neste processo de expansão se evangeliza povos pagãos. b) Vocação de Paulo (9,1ss). Paulo é o grande fruto do modelo de igreja dos Sete, ou melhor, de Antioquia. c) Intervenção de Pedro (10,1ss). Este gesto prepara a missão de Paulo aos gentios. d) Fundação da comunidade de Antioquia (11,19ss). Esta cidade será a base da missão de Paulo e foco da expansão missionária. Todos estes elementos preparam a missão universal de Paulo. Mesmo descrevendo gestos de Pedro, Lc quer descrever e legitimar Paulo. A segunda parte se divide em duas partes:   1 - De Jerusalém a Antioquia (8,12) 2 - Antioquia inaugura a missão (13,1-15,35). 1 - De Jerusalém a Antioquia (8-12). Os capítulos que compõem esta transição têm o claro objetivo de mostrar como a Palavra vai vencendo os obstáculos e vai se abrindo para os...

OS SETE (HELENISTAS) (At 6-7)

Os cap.6-7 ainda refletem Jerusalém. No entanto, a eleição dos Sete reflete algo diferente:   • a passagem do cristianismo de cultura hebraica para a cultura grega. Este foi o fator determinante para a ocidentalização da Igreja e o primeiro passo para a missão de Paulo. Com os helenistas (judeus de fala grega) surgiu a universalização da Igreja. Eles, os Sete passam a ter uma estrutura própria. Não são dirigidos diretamente pelos Doze. Ainda que Lc diga que os Doze impuseram as mãos aos Sete, estes certamente têm outra orientação e, provavelmente geraram conflitos na comunidade, tanto com a Igreja nascente, como também com os judeus. O primeiro mártir é o helenista Estêvão (At 7). • Os Doze lembram os patriarcas das 12 tribos de Israel. • Os Sete lembram os dirigentes das sinagogas (conselho). Logo, estão aqui dois modelos de igreja que têm visão diferente. A igreja dos helenistas começa a questionar as instituições judaicas (discurso de Estêvão -7,48). Os Doze iam...

A vida em comunidade e seus pilares:

A vida em comunidade e seus pilares: Vida dos primeiros Cristãos. Que beleza! Tudo ótimo! Tudo perfeito?   • Eles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos • Na comunhão fraterna • Na fração do pão • Nas orações   Tudo é um projeto que Lucas indicia à sua comunidade. É um como deveria ser. “é assim que deveríamos ser. Temos que conseguir isso”. Os pilares de sustentação da vida em comunidade nos ajudam a conseguir. 1º pilar: Perseverança no ensinamento dos apóstolos. Esse ensinamento é aquele manifesto pelas palavras (discursos) dos apóstolos, apontando Jesus como o centro de sua devoção; pelos milagres operados em nome de Jesus; e pela experiência de perseguição por causa de seu nome. Por conseguinte, ser fiel ao ensinamento dos apóstolos é ser fiel a Jesus. 2º pilar: Comunhão fraterna. Isto é a partilha de bens; não se trata só de ajudar os necessitados, entre os irmãos a comunhão fraterna chega ao ponto de partilhar os bens e as proprieda...

Grupos religiosos e sociais

Ao lermos o Evangelho deparamos continuamente com vários grupos religiosos com os quais Jesus entra em conflito. Entre eles sobressaem os fariseus, os saduceus e os escribas, mas é preciso, contarmos também com os essénios, herodianos, baptistas, samaritanos e zelotas. Este estudo dos grupos religiosos ajudam-nos a perceber, pelo confronto e polémica gerados, a própria pessoa que é Jesus de Nazaré. Este estudo dos diferentes grupos religiosos e sociais (que frequentemente tinham conotações políticas) é um elemento essencial da história do povo bíblico. É difícil dizer, em cada caso concreto, se foi a motivação religiosa ou política que foi a força inicial que confirmou um determinado grupo. Para entender esta dificuldade temos de saber, desde logo, que para Israel e para Judá o político e o religioso não são mais do que aspectos diferentes da mesma realidade. Apesar de não se saber ao certo quando é que os fariseus apareceram, sabe-se que estão ligados aos Macabeus e Asmoneus, por ...

O ESPÍRITO SANTO

Pentecostes, ou “festa das semanas”, (Dt 16,9-12) era a festa judaica que acontecia cinqüenta dias após a Páscoa e comemorava o término da colheita dos cereais (Ex 34,22; Nm 28,26). Depois do exílio (acontecido no ano de 587 a.C), na medida em que cada vez menos judeus trabalhavam a terra, começou-se a celebrar Pentecostes como sendo a celebração da Aliança e da doação por Deus da Lei a Moisés no Monte Sinai.   • Colocando o dom do Espírito em Pentecostes, Lucas sugere a plenitude da aliança, não mais com o dom da Lei, mas com o dom do Espírito, que faz compreender em profundidade a vontade de Deus, o seu projeto. Cumpre-se assim, o que os profetas anunciavam: não mais um lei escrita, mas uma lei interiorizada, o próprio Espírito de Deus, capaz de produzir transformações radicais e levar à vida plena (Jr 31,31-34; Ex 36,25-28). O Espírito, sinal de vida:   Gn 6, 17 = “Eis que vou fazer cair o dilúvio sobre a terra, uma inundação que exterminará todo o ser que tenha sopro...

ATOS EM PARTES

I - PRIMEIRA PARTE - JERUSALÉM (At 1-7) A primeira parte se divide em dois blocos: 1 - Os apóstolos (1,12-5,42) 2 - Os Sete ou os helenistas (6-7). 1 - OS APÓSTOLOS (1,12-5,42). Neste bloco, antes de se ver um retrato da comunidade de Jerusalém, deve-se ver os sonhos das comunidades lucanas. Jerusalém, que nos anos da redação (80) já não existe mais como centro do judaísmo, é idealizada e se torna a experiência fundante para as igrejas lucanas. • "Em primeiro lugar temos aqui uma utopia, uma visão de sociedade humana projetada como um ideal, uma meta." Jerusalém é o ponto de referência para todas as igrejas, ela é sinal de continuidade e por isto também modelo. a) koinonia /koinonia "mesa comum" (partilha). A comunidade de Jerusalém, idealizada, realiza Lc 1,46ss; 4,18; 6,20-21. At 1-5 é crítica a todos os modelos econômicos, mas principalmente uma crítica as comunidades lucanas que esqueceram a partilha. É uma reatualização do jubileu: redistribuição. ...

O livro dos Atos

O livro dos Atos foi escrito nos anos 80-90 e reflete o seguinte quadro: a) A maioria dos apóstolos já estava morta. b) Muitos pagãos aderiram à fé provocando crise de identidade. c) O cristianismo começa a se distanciar do judaísmo. d) Os judeus perseguem os cristãos, tachando-os de hereges e traidores. Os romanos os perseguem, vendo-os como subversivos. (revolucionários) e) Alguns se perguntam: as comunidades cristãs são ainda a continuação do antigo povo escolhido (AT)? Outros questionam: as comunidades continuam a caminhada de Jesus? O autor quer provar a fidelidade das comunidades a Jesus e ao AT, bem como contornar os problemas com judeus e romanos. O autor não é historiador, mas teólogo. Desta forma pinta um Paulo bem mais adocicado do que o real que se conhece pelas cartas. O autor quer legitimar a missão paulina, para isto apela a Pedro. Até o Pedro dos Atos é Paulino (prega aos gentios - comparar Atos 10 com Gl 2,7-10. Ele vincula suas comunidades paulinas com a co...

ATOS DOS APÓSTOLOS

INTRODUÇÃO 1 - O momento histórico Nos tempos da redação dos At (80-90) Roma domina a Palestina e todas as regiões circunvizinhas. Israel está sob o jugo romano desde 66 a.C. O poder político era assim exercido na Palestina: a) Sinédrio:   conselho de judeus presidido pelo sumo sacerdote (papa judeu). Este governava religiosa e politicamente. Era assistido por 71 membros da nobreza e do sacerdócio. Resolvia assuntos internos. b) Procurador   (Judéia), reis vassalos (Galiléia e outros). Mantinham a ordem, proferiam sentenças capitais e cobravam tributo. Fora isto deixavam aos judeus resolver seus próprios assuntos, mas intervinham em épocas de crise, depunham sumo sacerdotes e nomeavam outros. Devido à firmeza monoteísta dos judeus o todo-poderoso império romano teve de fazer concessões a eles: a) Isenção do culto ao imperador. b) Isenção do serviço militar. c) Judeu não podia ser intimado a julgamento durante o sábado. d) Os militares romanos não podiam usar ins...